|
No primeiro pregão após o feriado de Finados, o dólar comercial encerrou 3 de novembro de 2026 a R$ 5,4929 na taxa PTAX de compra e a R$ 5,4935 na de venda, conforme divulgação do Banco Central. A variação diária foi de 1,33 por cento em ambas as modalidades, ante o fechamento de 30 de outubro (R$ 5,4206 e R$ 5,4212). O Ibovespa, índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão das 17h em 165.632,69 pontos, com recuo de 1,51 por cento frente aos 168.176,02 pontos de 30 de outubro. O volume financeiro negociado na B3 até as 16h04 ficou em R$ 29.034.516.967, com 4.811.146 negócios.
O movimento do dia ocorreu em um ambiente de três eventos concorrentes. Primeiro, o Banco Central divulgou o boletim Focus na véspera do feriado, com revisão para cima das projeções de inflação (de 5,19 por cento para 5,22 por cento para 2026), da taxa Selic ao final de 2026 (de 13,25 por cento para 13,50 por cento ao ano) e do dólar ao final do ano (de R$ 5,05 para R$ 5,34), além de redução da projeção de crescimento do PIB. Segundo, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou reunião nesta terça-feira, com decisão da Selic marcada para quarta-feira (4); a taxa básica está em 13,75 por cento ao ano e pesquisa com 105 instituições indica que 72 esperam manutenção da taxa e 33 projetam corte de 0,25 ponto percentual. Terceiro, os Estados Unidos realizam eleições legislativas (midterms) nesta mesma data, o que inibiu tomada de posição por investidores externos. No segmento de ações, papéis da Petrobras recuaram cerca de 5 por cento no primeiro pregão da semana, arrastando o índice.
Ouro, prata e o caso da China
No mercado de metais preciosos, o ouro comercial no Brasil fechou 3 de novembro a R$ 695,0399 por grama (compra) e R$ 695,1158 (venda), com alta de 2,33 por cento no dia. A cotação em reais segue acima dos níveis de outubro, mas o preço à vista em dólar (ouro spot) permanece abaixo de US$ 4.000 por onça: em 30 de outubro, o spot estava em US$ 3.897,31 por onça, e em 3 de novembro em US$ 3.935,85. Outubro de 2026 foi o pior outubro para o ouro desde 2008, com recuo de cerca de 7 por cento no mês. A prata, por sua vez, atingiu o menor nível do ano; na China, a onça de prata passou de 387,12 yuan em 21 de outubro para 327,03 yuan em 30 de outubro, recuo de 15,5 por cento no período.
O episódio que envolve a China combina dois movimentos. De um lado, o mercado acionário chinês (índice CSI 300) registrou queda consecutiva e o investimento no setor imobiliário segue em contração, em torno de 21 por cento, em desdobramento da crise de empresas como a Evergrande, cujo fundador foi condenado à prisão perpétua em agosto. De outro, com o ouro abaixo de US$ 4.000 por onça, famílias e o banco central chinês intensificaram compras do metal. Na semana de 19 a 23 de outubro, o contrato Au99.99 da Bolsa de Ouro de Xangai negociou 43 milhões de lotes, equivalentes a cerca de 430 toneladas, o maior volume desde abril; o People's Bank of China acrescentou 23 toneladas às reservas em setembro, a maior compra mensal desde outubro de 2023; e as importações chinesas de ouro somaram US$ 158,8 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, mais de 1.000 toneladas, superando todo o ano de 2025. Essa demanda funcionou como suporte aos preços globais do metal e influenciou a cotação interna brasileira, que em reais subiu 9,61 por cento em 26 de outubro em conjunto com a desvalorização cambial.
Análise do último mês
O período de 20 dias úteis que antecede 3 de novembro foi marcado por uma inflexão em 26 de outubro, primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro, no qual Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito. O Ibovespa caiu 13,88 por cento em 26 de outubro, com acionamento do circuit breaker pela B3, e o dólar PTAX passou de R$ 5,0371 (compra, em 23 de outubro) para R$ 5,4998, variação de 9,19 por cento em um único dia. Na semana de 26 a 30 de outubro, o Ibovespa acumulou perda de 18,12 por cento e o dólar alta de 9,04 por cento. Em outubro inteiro, o Ibovespa recuou 9,88 por cento e o dólar comercial valorizou 5,22 por cento. Antes do segundo turno, o dólar havia operado entre R$ 4,97 e R$ 5,08, e o Ibovespa havia chegado a 209.067 pontos na semana após o primeiro turno. A partir de 27 de outubro, o câmbio passou a flutuar entre R$ 5,33 e R$ 5,49, e o índice da bolsa entre 165 mil e 176 mil pontos. A recomposição de carteiras por investidores estrangeiros, a incerteza sobre a composição da equipe econômica e as revisões do boletim Focus foram os fatores associados à nova faixa de preços.
Resumo do fechamento diário (3 de novembro de 2026)
| Ativo |
Valor de fechamento |
Variação diária |
| Dólar comercial (PTAX compra) |
R$ 5,4929 |
+1,33 por cento |
| Dólar comercial (PTAX venda) |
R$ 5,4935 |
+1,33 por cento |
| Ibovespa (pontos) |
165.632,69 |
-1,51 por cento |
Maiores altas do dia na B3
| Código |
Empresa |
Variação diária |
| RCSL4F |
Recrusul S.A. (preferencial) |
+46,55 por cento |
| RCSL4 |
Recrusul S.A. (preferencial) |
+45,00 por cento |
| FSRF11F |
Fiset Fundo de Referência (preferencial) |
+28,57 por cento |
| PMAM3F |
Paranapanema S.A. |
+21,74 por cento |
| PMAM3 |
Paranapanema S.A. |
+16,67 por cento |
Maiores baixas do dia na B3
| Código |
Empresa |
Variação diária |
| SEQL3F |
Sequoia Logística e Transportes S.A. |
-46,13 por cento |
| CEDO4F |
Companhia de Fiação e Tecidos Cedro e Cachoeira (preferencial) |
-35,25 por cento |
| SEQL3 |
Sequoia Logística e Transportes S.A. |
-33,00 por cento |
| ATED3 |
Atom Educação e Editora S.A. |
-21,05 por cento |
| HETA4 |
Hercules S.A. Fábrica de Talheres (preferencial) |
-19,97 por cento |
Variação diária do dólar comercial (PTAX) no último mês
| Data |
Compra (R$) |
Venda (R$) |
Variação compra |
Variação venda |
| 05/10/2026 |
4,9853 |
4,9859 |
s/d |
s/d |
| 06/10/2026 |
4,9692 |
4,9698 |
-0,32 por cento |
-0,32 por cento |
| 07/10/2026 |
4,9929 |
4,9935 |
+0,48 por cento |
+0,48 por cento |
| 08/10/2026 |
5,0113 |
5,0119 |
+0,37 por cento |
+0,37 por cento |
| 09/10/2026 |
4,9886 |
4,9892 |
-0,45 por cento |
-0,45 por cento |
| 13/10/2026 |
5,0090 |
5,0096 |
+0,41 por cento |
+0,41 por cento |
| 14/10/2026 |
5,0435 |
5,0441 |
+0,69 por cento |
+0,69 por cento |
| 15/10/2026 |
5,0515 |
5,0521 |
+0,16 por cento |
+0,16 por cento |
| 16/10/2026 |
5,0820 |
5,0826 |
+0,60 por cento |
+0,60 por cento |
| 19/10/2026 |
5,0558 |
5,0564 |
-0,52 por cento |
-0,52 por cento |
| 20/10/2026 |
5,0134 |
5,0140 |
-0,84 por cento |
-0,84 por cento |
| 21/10/2026 |
5,0270 |
5,0277 |
+0,27 por cento |
+0,27 por cento |
| 22/10/2026 |
5,0377 |
5,0383 |
+0,21 por cento |
+0,21 por cento |
| 23/10/2026 |
5,0371 |
5,0377 |
-0,01 por cento |
-0,01 por cento |
| 26/10/2026 |
5,4998 |
5,5007 |
+9,19 por cento |
+9,19 por cento |
| 27/10/2026 |
5,3340 |
5,3346 |
-3,01 por cento |
-3,02 por cento |
| 28/10/2026 |
5,3414 |
5,3420 |
+0,14 por cento |
+0,14 por cento |
| 29/10/2026 |
5,3738 |
5,3744 |
+0,61 por cento |
+0,61 por cento |
| 30/10/2026 |
5,4206 |
5,4212 |
+0,87 por cento |
+0,87 por cento |
| 03/11/2026 |
5,4929 |
5,4935 |
+1,33 por cento |
+1,33 por cento |
Variação diária do ouro comercial (por grama, em R$) no último mês
| Data |
Compra (R$) |
Venda (R$) |
Variação compra |
Variação venda |
| 05/10/2026 |
662,6745 |
662,7542 |
s/d |
s/d |
| 06/10/2026 |
665,0428 |
665,1231 |
+0,36 por cento |
+0,36 por cento |
| 07/10/2026 |
658,9547 |
659,0339 |
-0,92 por cento |
-0,92 por cento |
| 08/10/2026 |
662,0822 |
662,1614 |
+0,47 por cento |
+0,47 por cento |
| 09/10/2026 |
672,2275 |
672,3083 |
+1,53 por cento |
+1,53 por cento |
| 13/10/2026 |
669,6524 |
669,7326 |
-0,38 por cento |
-0,38 por cento |
| 14/10/2026 |
661,6162 |
661,6949 |
-1,20 por cento |
-1,20 por cento |
| 15/10/2026 |
673,8927 |
673,9728 |
+1,86 por cento |
+1,86 por cento |
| 16/10/2026 |
680,9594 |
681,0398 |
+1,05 por cento |
+1,05 por cento |
| 19/10/2026 |
673,1194 |
673,1993 |
-1,15 por cento |
-1,15 por cento |
| 20/10/2026 |
665,7018 |
665,7814 |
-1,10 por cento |
-1,10 por cento |
| 21/10/2026 |
667,7736 |
667,8666 |
+0,31 por cento |
+0,31 por cento |
| 22/10/2026 |
655,9505 |
656,0286 |
-1,77 por cento |
-1,77 por cento |
| 23/10/2026 |
648,1086 |
648,1858 |
-1,20 por cento |
-1,20 por cento |
| 26/10/2026 |
710,3849 |
710,5012 |
+9,61 por cento |
+9,61 por cento |
| 27/10/2026 |
696,7995 |
696,8779 |
-1,91 por cento |
-1,92 por cento |
| 28/10/2026 |
694,0489 |
694,1268 |
-0,39 por cento |
-0,39 por cento |
| 29/10/2026 |
694,6484 |
694,7260 |
+0,09 por cento |
+0,09 por cento |
| 30/10/2026 |
679,1881 |
679,2633 |
-2,23 por cento |
-2,23 por cento |
| 03/11/2026 |
695,0399 |
695,1158 |
+2,33 por cento |
+2,33 por cento |
(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxas PTAX de dólar e ouro, boletim Focus, Relatório de Política Monetária); B3 (fechamento do Ibovespa, maiores altas e baixas, volume negociado); Refinitiv (cotações de ouro spot e paridade); Bloomberg (volume da Bolsa de Ouro de Xangai); World Gold Council (compras do banco central chinês); agências de notícias econômicas nacionais e internacionais (resultado eleitoral, Copom, eleições americanas, cotações de prata e petróleo).
|