Revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti
Em 4 de agosto de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a revogação do visto de entrada e permanência da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida não configura declaração de persona non grata nem expulsão. A diplomata pode permanecer em território americano; caso deixe o país, precisará solicitar novo visto para retornar. Autoridades americanas informaram que o visto poderá ser restabelecido se o Brasil atender às demandas apresentadas.
Washington apresentou dois motivos para a decisão. O primeiro é a demora do governo brasileiro em conceder o aval diplomático, conhecido como agrément, para que Daniel Perez, indicado em junho de 2026 para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil, assuma a função. O segundo é a recusa do Itamaraty, em 24 de julho de 2026, em emitir vistos para dois representantes do Departamento de Estado que pretendiam visitar o Brasil para tratar de temas ligados à integridade do sistema eleitoral. A medida também foi associada à linha de política externa de reciprocidade adotada pela atual gestão americana.
O governo brasileiro divulgou nota de repúdio à decisão, classificando os motivos alegados como falsos. Sobre o veto aos dois diplomatas, informou que a medida se deu porque a missão pretendida configurava tentativa de interferência em assuntos políticos internos. Quanto à indicação de Perez, o Brasil argumentou que os Estados Unidos tornaram o nome público antes de enviar solicitação formal, em desacordo com o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. A nota acrescentou que não há prazo definido em tratado internacional para a concessão de agrément e que o pedido permanece em análise. O impasse ocorre em contexto de desgaste adicional nas relações bilaterais, motivado pela implementação de novas tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos.
Greve nas linhas da CPTM e impactos no transporte de São Paulo
À meia-noite de 3 para 4 de agosto de 2026, trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos deflagraram greve que atinge as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, incluindo o serviço Expresso Aeroporto. A decisão foi tomada em assembleia da categoria na noite anterior. As reivindicações centrais são a reestatização das três linhas, repassadas à iniciativa privada pela gestão estadual, ou a manutenção de 4,7 mil postos de trabalho, atualmente sob plano de demissão voluntária.
A operação das linhas durante a greve segue com restrições. A linha 13-Jade permaneceu completamente paralisada no primeiro dia. A linha 11-Coral operou parcialmente entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, sem atendimento aos municípios de Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano e Mogi das Cruzes. A linha 12-Safira passou a funcionar parcialmente entre Engenheiro Goulart e Brás a partir das 5h30 do dia 4. A CPTM acionou o Tribunal Regional do Trabalho, que fixou multa diária de 400 mil reais ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil caso não seja mantido o efetivo mínimo exigido por lei para serviços essenciais. A companhia acusou o sindicato de descumprir a determinação judicial.
Os impactos no sistema de transporte da Grande São Paulo foram quantificados. Cerca de 1 milhão de passageiros tiveram a rotina alterada. Na manhã do dia 4, a cidade registrou pico de 724 quilômetros de congestionamento às 8h30, conforme dados da Companhia de Engenharia de Tráfego. Dados atualizados da mesma entidade apontam que o volume chegou a 2.125 quilômetros às 10h23. A região mais afetada foi a zona leste da capital, atendida pelas linhas paralisadas. Linhas do Metrô, como a 1-Azul e a 3-Vermelha, registraram aumento de demanda e lotação acima do habitual, com filas nas catracas de estações como Itaquera. O sistema de ônibus PAESE, acionado para fazer transbordos entre estações, operou com atrasos. A Prefeitura de São Paulo decretou suspensão do rodízio municipal de veículos durante todo o dia 4 e anunciou reagendamento de consultas e exames da rede municipal de saúde afetados pela paralisação. O governo estadual manteve plano de contingência para reduzir os efeitos da greve.
Indicação de investigação de Lulinha por ministro Flávio Dino
Em 4 de agosto de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizou a abertura de terceiro inquérito contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atende a pedido formulado pela Polícia Federal. Dino também foi designado relator do processo após distribuição automática na corte.
A nova investigação apura suspeitas de tráfico de influência. Os elementos apresentados pela Polícia Federal indicam a possibilidade de intermediação para favorecer a empresa 3Structure IT Ltda. na celebração de contratos com a administração pública federal. Os trâmites do inquérito correm em sigilo.
Duas outras investigações com o mesmo objeto já tramitam no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. A primeira, autorizada em 30 de julho de 2026, verifica suposta atuação de Lulinha em favor de interesses ligados ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negociações com o Ministério da Saúde. A segunda, aberta no dia seguinte, apura alegados favorecimentos a empresários em contratos com a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social.
Além da abertura do inquérito, Dino autorizou investigação paralela sobre vazamentos ilegais de dados sigilosos, medida solicitada pela própria defesa de Lulinha. Autoridades envolvidas no processo informaram que a fase investigativa não traz conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos. O presidente da República declarou publicamente que mantém tranquilidade em relação às apurações.
Análise de contexto
Os três eventos guardam relação com dinâmicas políticas e sociais mais amplas. No plano externo, a tensão diplomática reflete choques de prioridades entre governos com orientações distintas de política externa, além de efeitos de disputas eleitorais internas em ambos os países. No plano local, a greve na CPTM expõe a polarização em torno de modelos de gestão de serviços públicos e a pressão por garantias de emprego em setores em processo de reestruturação. No âmbito institucional, as investigações contra familiar do presidente ocorrem em ciclo de eleições gerais e geram debates sobre separação de poderes e alcance da atuação judicial em casos com repercussão política. A conjuntura combina desgastes nas relações internacionais, pressões sociais por serviços de transporte e tensões entre Executivo e Judiciário que devem permear a agenda nacional nos meses seguintes.
(*) Com informações das fontes: Agência Xinhua, G1, Metrópoles, R7, Jornal O Tempo, Painel Político, Head Topics, Sputnik Brasil, A Crítica, LeiaJá, Perfil Brasil, CGN, Gazeta Brasil, Hora do Povo, Amado Mundo, FZL, Diário do Estado de São Paulo, Hora de Notícias, Agência Câmara dos Deputados.