O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, confirmou a participação societária na empresa Maridt Participações S.A. A companhia deteve cotas do empreendimento Tayayá Aqua Resort, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, até o mês de fevereiro de 2025. A admissão ocorreu por meio de nota oficial após a Polícia Federal identificar mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o nome do magistrado em contextos de pagamentos. Toffoli nega o recebimento de recursos de Vorcaro ou de Fabiano Zettel.
Estrutura societária e alienação de ativos
A nota divulgada pelo gabinete do ministro detalha que a Maridt integrou o quadro de sócios do grupo Tayayá até o início de 2025. A saída da empresa da sociedade ocorreu em duas etapas de negociação distintas. A primeira venda de cotas aconteceu em 27 de setembro de 2021 para o Fundo Arllen. O fundo possui vínculo com a Reag Investimentos e com Fabiano Zettel. A segunda operação, referente ao saldo remanescente, ocorreu em 21 de fevereiro de 2025, com a alienação para a PHD Holding.
O ministro sustenta que a participação na Maridt se restringe ao recebimento de dividendos e que não exerce atos de gestão na companhia. A Lei Orgânica da Magistratura permite a participação de juízes em sociedades comerciais, condicionado à não atuação como administrador ou gerente. O comunicado ressalta que as operações e os valores constam nas declarações enviadas à Receita Federal.
Inquérito e monitoramento de comunicações
A Polícia Federal enviou à presidência do Supremo Tribunal Federal um relatório com a análise do material extraído do aparelho celular de Daniel Vorcaro, acionista controlador do Banco Master. O documento aponta a existência de diálogos entre Vorcaro e Zettel que citam pagamentos relacionados ao resort Tayayá e mencionam o nome do ministro Toffoli.
A investigação apura a existência de fraudes na gestão do Banco Master. As estimativas de irregularidades somam R$ 17 bilhões e incluem a emissão de Certificados de Depósito Bancário sem lastro e operações financeiras com o Banco de Brasília. Vorcaro cumpriu prisão em novembro de 2025 e obteve soltura por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Cronologia processual e defesa
A defesa de Toffoli argumenta a inexistência de conflito de interesses com base na cronologia dos fatos. A nota afirma que o processo referente à compra do Banco Master pelo BRB, denominado Operação Compliance Zero, foi distribuído ao gabinete do ministro em 28 de novembro de 2025. A data é posterior à saída da Maridt do quadro societário do resort, ocorrida nove meses antes da distribuição.
O ministro atuou nos autos em dezembro de 2025. Na ocasião, determinou a realização de acareações entre Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e auditores do Banco Central. Toffoli também autorizou a Polícia Federal a realizar diligências e tomar depoimentos dos envolvidos.
Linha do tempo da investigação e operações
Abaixo, a relação de datas e eventos citados no inquérito e na manifestação da defesa:
| Data |
Evento |
| Setembro de 2021 |
Venda de cotas da Maridt para o Fundo Arllen |
| Fevereiro de 2025 |
Venda do saldo remanescente da Maridt para a PHD Holding |
| Novembro de 2025 |
Prisão de Daniel Vorcaro e distribuição do inquérito ao ministro Toffoli |
| Dezembro de 2025 |
Determinação de diligências e acareações no caso Master |
| Fevereiro de 2026 |
PF relata mensagens sobre pagamentos; defesa emite nota sobre sociedade |
(*) Com informações das fontes: G1, Gazeta do Povo, CNN Brasil, Agência Brasil e Migalhas.