"> Dólar mergulhou e Ibovespa instável fecha em alta

 

Economia - 28/01/2026 - 17:27:08

 

Dólar mergulhou e Ibovespa instável fecha em alta

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

B3 registra volume recorde de R$ 22 bi em pregão de ajuste do Ibovespa; dólar PTAX de compra atinge mínima em 20 meses com ingressos estrangeiros de R$ 12 bi no mês e dólar global enfraquecido. Copom e Fed no radar.

B3 registra volume recorde de R$ 22 bi em pregão de ajuste do Ibovespa; dólar PTAX de compra atinge mínima em 20 meses com ingressos estrangeiros de R$ 12 bi no mês e dólar global enfraquecido. Copom e Fed no radar.

O fechamento do mercado financeiro brasileiro em 28 de janeiro reflete um pregão de realização no Ibovespa, com o índice em 183.349,69 pontos após máxima intradiária acima de 185.000 pontos, enquanto o dólar comercial PTAX de compra cai para R$ 5,1832, menor cotação em cerca de 20 meses. O movimento do câmbio se insere em uma tendência de desvalorização da moeda americana de 7% no último mês útil, impulsionada por fluxo estrangeiro robusto para a B3, diferencial de juros elevado e perda de força global do dólar diante de expectativas de cortes pelo Federal Reserve. Volume negociado na B3 atinge R$ 22,027 bilhões, com 3.304.995 negócios, em linha com o aumento de liquidez observado no período.

Resumo do Fechamento Diário

Indicador Valor Fechamento Variação Diária (%)
Dólar PTAX Compra R$ 5,1832 -1,05
Dólar PTAX Venda R$ 5,1838 -1,05
Ibovespa 183.349,69 pontos -0,05

Maiores Altas

Código Nome Completo da Empresa Variação Diária (%) Valor
RAIZ4 Raizen SA Non-Cum Perp Pfd Registered Shs 14,44 1,030
INEP3 Inepar SA Industria e Construcoes 13,89 1,64
NORD3 Nordon Industrias Metalurgicas S.A. 11,63 4,80
LIGT3 Light S.A. 9,02 5,44

Maiores Baixas

Código Nome Completo da Empresa Variação Diária (%) Valor
CBEE3 Ampla Energia e Servicos SA -14,63 9,22
HOOT4 Hoteis Othon SA Pfd -6,61 6,92

Análise Detalhada da Queda do Dólar

A desvalorização do dólar em 28 de janeiro, de 1,05% ante o dia anterior e acumulada de 7% no mês, resulta de múltiplos fatores interligados. No exterior, o índice DXY cai 0,8% na sessão, refletindo expectativas de três cortes de juros pelo Fed em 2026, reduzindo a atratividade do dólar como reserva de valor. No Brasil, ingressos estrangeiros na B3 somam R$ 12,35 bilhões até 21 de janeiro, gerando oferta de dólares convertidos em reais para compra de ações.

Diferencial Selic-Fed de 8 pontos percentuais sustenta carry trade, com investidores alocando em ativos locais que rendem acima da inflação projetada em 4,50%. Superávit comercial de US$ 68 bilhões em 2025 adiciona oferta cambial, enquanto IPCA-15 de 0,20% em janeiro sinaliza convergência à meta, diminuindo risco de alta de juros. Esses elementos combinam para pressionar o câmbio abaixo de 5,20 reais, com analistas projetando continuidade se fluxo e juros se mantiverem.

Análise Periódica (20 Dias Úteis)

O Ibovespa sobe 13,1% desde início de janeiro, de cerca de 162.000 para 183.349 pontos, impulsionado por fluxo estrangeiro e recomposição de portfólios. Dólar cai de R$ 5,57 (fim de 2025) para R$ 5,18, com queda acelerada nas últimas sessões devido a realização no índice e expectativa de Copom.

Quadro de Variação Mensal do Dólar

Data PTAX Compra (R$) Variação Diária (%) PTAX Venda (R$) Variação Diária (%)
29/12/2025 5,5733 - 5,5739 -
30/12/2025 5,5018 -1,28 5,5024 -1,28
31/12/2025 5,5018 0,00 5,5024 0,00
02/01/2026 5,4366 -1,18 5,4372 -1,18
05/01/2026 5,4345 -0,04 5,4351 -0,04
06/01/2026 5,3791 -1,02 5,3797 -1,02
07/01/2026 5,3874 0,15 5,3880 0,15
08/01/2026 5,3854 -0,04 5,3860 -0,04
09/01/2026 5,3701 -0,28 5,3707 -0,28
12/01/2026 5,3754 0,10 5,3760 0,10
13/01/2026 5,3758 0,01 5,3764 0,01
14/01/2026 5,3789 0,06 5,3795 0,06
15/01/2026 5,3840 0,10 5,3846 0,10
16/01/2026 5,3792 -0,09 5,3798 -0,09
19/01/2026 5,3647 -0,27 5,3653 -0,27
20/01/2026 5,3784 0,25 5,3790 0,25
21/01/2026 5,3362 -0,78 5,3368 -0,78
22/01/2026 5,3112 -0,47 5,3118 -0,47
23/01/2026 5,2872 -0,45 5,2879 -0,45
26/01/2026 5,2754 -0,22 5,2760 -0,22
27/01/2026 5,2386 -0,70 5,2392 -0,70
28/01/2026 5,1832 -1,05 5,1838 -1,05

Fatores estruturais da queda do dólar

Esse comportamento conjunto de leve ajuste no índice e queda mais intensa do câmbio reflete um dia em que a realização em ações fica concentrada em movimentos setoriais específicos, enquanto o fluxo cambial segue condicionado por entradas estruturais de recursos e por um quadro externo de dólar enfraquecido frente a diversas moedas. A proximidade da primeira “superquarta” de 2026, com decisões do Copom e do Federal Reserve, mantém o mercado acionário mais sensível a ajustes de posição, ao mesmo tempo em que o câmbio consolida patamar abaixo de 5,20 reais.

1. Queda global do dólar e juros nos EUA

No cenário internacional, a moeda americana vem perdendo força desde o fim de 2025 diante da leitura de que o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos terminou e de que a próxima etapa é de cortes graduais ao longo de 2026. Com a taxa básica americana projetada em trajetória de redução, diminui a atratividade relativa dos ativos denominados em dólar e aumenta a busca por mercados que combinam juros elevados e perspectiva de crescimento moderado, como o brasileiro.

Essa reavaliação de risco e retorno reduz a demanda global por dólar como ativo de proteção, movimenta carteiras para emergentes e favorece moedas com fundamentos considerados mais equilibrados em termos de contas externas e nível de reservas, o que inclui o real. Em paralelo, incertezas políticas nos Estados Unidos e o rearranjo de expectativas sobre a condução fiscal e regulatória também são citados por analistas como elementos que contribuem para a perda de protagonismo do dólar como principal porto seguro nas carteiras globais.

2. Diferencial de juros e estratégia de carry trade

No plano doméstico, o diferencial entre a taxa Selic e os juros americanos permanece elevado, sustentando operações de carry trade, nas quais investidores captam em moedas de países de juros mais baixos e alocam recursos em mercados com retornos nominais superiores. A sinalização do Banco Central brasileiro é de início de cortes de juros apenas mais à frente, em um patamar ainda distante do observado nas economias avançadas, o que mantém a curva local em nível que segue atraente para investidores externos.

Esse diferencial incentiva a alocação em títulos de renda fixa domésticos e em ações, aumentando a oferta de dólares no mercado à vista e pressionando a taxa de câmbio para baixo. A estratégia é reforçada pela percepção de que, mesmo com incertezas fiscais, o Brasil combina inflação em desaceleração, contas externas relativamente equilibradas e um banco central comprometido com metas de inflação, o que reduz o risco de movimentos abruptos na política monetária.

3. Fluxo estrangeiro para a B3 e aumento da liquidez

Um vetor central para explicar a intensidade recente da queda do dólar é o fluxo estrangeiro positivo para a Bolsa brasileira neste início de ano. Levantamentos de casas internacionais indicam ingressos de cerca de 7,3 bilhões de reais em ações até a primeira quinzena de janeiro, enquanto outras estimativas apontam para 12,35 bilhões de reais até o dia 21, praticamente metade de todo o fluxo externo observado em 2025.

Além do volume de recursos, houve aumento do volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista da B3 para cerca de 22,5 bilhões de reais em janeiro, maior marca desde meados de 2023, sinalizando recomposição de participação de investidores globais em ativos brasileiros. Esse conjunto de fatores produz dois efeitos simultâneos: impulsiona o Ibovespa, que passa a operar em máximas históricas, e amplia a oferta de dólares derivada da conversão de moeda estrangeira em reais para compra de ativos, reforçando a pressão de apreciação cambial.

4. Inflação em desaceleração e expectativas para a Selic

A inflação brasileira acumulada em 12 meses entra em trajetória de desaceleração nos meses finais de 2025 e início de 2026, após período de pressão em 2024 e meados de 2025, o que melhora as expectativas para o poder de compra da renda interna e reduz o risco de desancoragem das metas. A leitura recente do IPCA-15 aponta variação moderada, com alívio em itens de maior peso, elemento que contribui para reduzir projeções de inflação futura e diminui a necessidade de manutenção da Selic nos níveis mais altos por prazo prolongado.

Essa combinação fortalece o real por meio de dois canais: melhora a percepção de sustentabilidade da política monetária e de capacidade de convergência da inflação à meta e reduz a probabilidade de choques de confiança vinculados a perda de controle de preços, que em geral provocam fuga de capital e desvalorização cambial. Ao mesmo tempo, a perspectiva de um ciclo de cortes ainda gradual e dependente de dados mantém a taxa real de juros em patamar relevante, reforçando o apelo do carry trade e o ingresso de capitais.

5. Contas externas, comércio e percepção de risco

No setor externo, o Brasil encerra 2025 com superávit comercial elevado e projeções de manutenção de saldos positivos em 2026, o que tende a gerar oferta estrutural de dólares por meio de exportações de commodities e manufaturados. A combinação de balança comercial superavitária e posição de reservas internacionais robustas é frequentemente citada por analistas como fator que limita movimentos de estresse cambial e dá ao Banco Central margem de atuação em episódios de volatilidade.

Ainda que o debate fiscal siga como ponto sensível, editoriais e análises apontam que, neste início de ano, o peso relativo de fatores externos e do ciclo global de juros supera o impacto imediato das incertezas sobre o ajuste das contas públicas na formação da taxa de câmbio. Nesse contexto, o risco país não apresenta deterioração suficiente para reverter o fluxo positivo e a pressão de valorização do real, ainda que sinais de complacência fiscal sejam monitorados e possam ganhar relevância à medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxime.

(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (Cotações e Boletins PTAX), B3 (Ações e Ibovespa), G1 Globo, CNN Brasil, E-Investidor, Agência Brasil.

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