Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia aprovaram a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de estoques de emergência para ampliar a oferta no mercado internacional e reduzir a pressão sobre as cotações da commodity. A decisão foi tomada após a escalada do conflito no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela relevante do comércio global de petróleo e derivados.
O volume anunciado supera o montante liberado em 2022, quando a agência coordenou a retirada de 182,7 milhões de barris das reservas estratégicas diante dos efeitos da guerra na Ucrânia. A operação de 2026 passa a ser a maior ação coordenada do tipo já realizada pela AIE desde a criação do mecanismo de resposta a crises de abastecimento.
A agência informou que os países membros mantêm, em conjunto, cerca de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos de emergência, além de aproximadamente 600 milhões de barris em reservas mantidas pela indústria sob obrigação regulatória. A liberação agora aprovada corresponde a uma parcela dessas reservas e será executada de forma escalonada, de acordo com a capacidade logística e a programação de cada governo.
A medida foi adotada após a interrupção do tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Antes da crise, a passagem concentrava o fluxo de cerca de 20 milhões de barris por dia, entre petróleo cru e derivados. Em um mercado com produção global ao redor de 100 milhões de barris diários, a restrição ao estreito elevou o risco de desabastecimento e ampliou a volatilidade dos preços internacionais.
Segundo os anúncios feitos até agora, o Japão informou que colocará 80 milhões de barris à disposição do plano coordenado pela AIE. O Reino Unido confirmou a liberação de 13,5 milhões de barris. A Alemanha também indicou participação no esforço coletivo, com fornecimento calculado em milhões de barris equivalentes. A Espanha informou que trabalhará com prazo de até 90 dias para executar a parcela prevista em sua contribuição.
A Agência Internacional de Energia foi criada em 1974, após a crise do petróleo da década de 1970, com a função de coordenar políticas de segurança energética entre economias importadoras. O grupo reúne 32 membros e opera com regras que exigem a manutenção de estoques equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas. Esses volumes podem ser mobilizados de forma coletiva quando há ruptura de oferta com impacto sobre o mercado internacional.
O Brasil não integra o grupo de membros plenos e, por isso, não participa da decisão sobre a liberação coordenada das reservas estratégicas. O país atua como associado da AIE desde 2017, condição que permite cooperação técnica e participação em parte das discussões, mas sem direito à adesão automática aos mecanismos decisórios restritos aos integrantes formais da organização.
O governo brasileiro iniciou em 2025 o processo para adesão plena à agência, após deliberação do Conselho Nacional de Política Energética. Em fevereiro de 2026, ministros dos países membros confirmaram o início formal da tramitação de acessão. A entrada do Brasil depende da conclusão de etapas técnicas, regulatórias e institucionais exigidas pela organização, incluindo compromissos relacionados à segurança energética, formação de estoques e alinhamento normativo.
A movimentação da AIE ocorre em um momento em que o Brasil amplia sua produção de petróleo, com avanço das operações no pré-sal e aumento de sua participação no mercado exportador. Mesmo fora da agência como membro pleno, o país acompanha o desdobramento da crise porque alterações no preço internacional do barril afetam a receita de exportação, a política de combustíveis e o custo de importação de derivados.
Na avaliação da AIE, a liberação dos estoques busca introduzir oferta adicional no curto prazo para reduzir a pressão sobre o mercado enquanto persistirem os riscos à navegação no Golfo. O efeito prático da medida dependerá da velocidade de colocação dos barris no sistema internacional, da duração do bloqueio em Ormuz e da reação de produtores fora da agência, como os integrantes da Opep e aliados.
(*) Com informações das fontes: G1, Poder360, InfoMoney, Agência Brasil, CNN Brasil, Xinhua, Bloomberg, PBS NewsHour, Ministério de Minas e Energia, Eixos e Times Brasil.