Oposição obtém maioria em eleições legislativas na Venezuela

 

Internacional - 07/12/2015 - 06:10:39

 

Oposição obtém maioria em eleições legislativas na Venezuela

 

Da Redação com G1

Foto(s): AFP

 

Apoiadores da oposição venezuelana comemoram resultados da eleição legislativa em Caracas

Apoiadores da oposição venezuelana comemoram resultados da eleição legislativa em Caracas

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, Tibisay Lucena, anunciou que a aliança opositora MUD ganhou as eleições legislativas com um total de 99 deputados, contra 46 do chavismo.

Com 96,03% das urnas apuradas na Venezuela, a oposição tem apenas uma maioria simples. Ainda há 22 posições a definir. A oposição precisa de mais uma vaga para obter 3/5 do parlamento e 12 para obter 2/3 das posições no Legislativo. É a primeira vez em 16 anos que a oposição sai vitoriosa no Parlamento, desde que foi criado no ano de 2000 após a dissolução do antigo Congresso.

Esta maioria permite à plataforma opositora, em primeiro termo, designar a junta diretiva da Câmara, que tomará posse em 5 de janeiro de 2016.

A oposição afirmou que sua vitória nas legislativas com 99 deputados dos 167 cadeiras da nova Assembleia Nacional (AN) representa o "começo da mudança" no país.

"Começou a mudança Venezuela, hoje temos razões para comemorar, o país pedia uma mudança, essa mudança começou hoje", disse o secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, após o anúncio do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) dos resultados provisórios com 96,03% dos votos apurados.

Com esta vitória "a agenda da paz reinou, a agenda dos cidadãos se impôs, o voto conseguiu vencer democraticamente um governo que não é democrático", afirmou o porta-voz da aliança ao fazer a leitura de um comunicado conjunto da plataforma que reúne a maioria dos partidos de oposição.

 

Venezuela

Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, reconhece vitória da oposição

Após o anúncio, o presidente Nicolas Maduro aceitou a derrota eleitoral com "moral e ética" do chavismo em rede nacional. "Olhando para estes resultados a que chegamos com nossa moral, nossa ética, para reconhecer estes resultados adversos, a aceitar e dizer que a nossa Venezuela ganhou a Constituição e a democracia", disse.

De acordo com Maduro, a Venezuela não tem a mesma fidelidade política, mas, o Governo reconhece os resultados emitidos pelo Poder Eleitoral. Na Venezuela ganhou a guerra econômica e ganhou uma estratégia circunstancial, disse Maduro.

Torrealba considerou que esta vitória envia uma mensagem ao governo de Nicolás Maduro, porque demonstra que "o povo falou claro, as famílias venezuelanas se cansaram de viver as consequências do fracasso, o povo não tolera nem o mais mínimo desvio dos princípios estabelecidos na constituição".



Atraso

O encerramento das eleições legislativas na Venezuela, previsto para ocorrer às 18 horas (20h30 em Brasília), atrasou mais de mais de duas horas a mais que o previsto. A demora provocou troca de acusações entre o governo e a oposição.

Opositores acusam o governo de desrespeitar a lei e tentar tumultuar ou fraudar as eleições, enquanto situacionistas dizem que a oposição quer impedir alguns eleitores de exercerem seu direito ao voto.

A votação na Venezuela transcorreu em paz, apesar de alguns incidentes com os ex-presidentes convidados pela oposição de quem o Poder Eleitoral do país retirou suas credenciais como observadores políticos.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela estendeu por uma hora o horário de fechamento dos centros de votação ao considerar que ainda eleitores dispostos a votar estavam nas filas.

O fechamento das mesas de votação começou uma hora depois das 18h (horário local, 20h30 em Brasília) previstas, embora o CNE ainda não tinha anunciado passadas as 21h (23h30) o encerramento de todos os colégios, argumentando que havia ainda cidadãos à espera de votar.

Segundo a aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) o CNE estaria passando "por cima da lei" ao realizar esta prorrogação, um ponto de vista que recebeu o apoio do ex-reitor do ente eleitoral Vicente Díaz.

"Nenhuma autoridade na Venezuela está acima da lei, o que sim é correto é que, se há eleitores em uma mesa em particular, (...) os membros de mesa avaliam a situação e decidem prorrogá-la", disse Díaz no comando da MUD.

Minutos antes de se conhecer a decisão do CNE sobre o horário da votação, o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, chamou a atenção das autoridades sobre a hora de fechamento que, disse, devia ser cumprida conforme o estipulado, e criticou, também a suposta "vantagem" do Governo.

Quiroga lembrou a carta do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) Luis Almagro, na qual critica as supostas desvantagens que a oposição teve neste processo eleitoral, tanto na fase de postulação de seus candidatos, como na campanha.

Credenciais e presos políticos

Após questionamentos ao processo eleitoral do país, os ex-presidentes da Colômbia, Andrés Pastrana, da Bolívia, Jorge Quiroga, do Uruguai, Luis Alberto Lacalle, e da Costa Rica, Miguel Angel Rodriguez, tiveram confiscadas suas credenciais de "acompanhantes políticos". Eles estão no país a convite da coalizão de oposição Mesa da Unidade de Democrática (MUD).

Ao jornal "El Nacional", o presidente do Fórum Penal Venezuelano, Alfredo Romero, disse que nenhum dos 76 presos políticos do país foi autorizado a votar, embora o direito esteja previsto na Constituição. Romero destacou o caso do líder oposicionista Leopoldo López, que ainda não foi condenado definitivamente, mas ainda assim não conseguiu votar. Segundo a mulher de López, Lilian Tintori, os responsáveis pela custódia de seu marido alegaram que a autorização dele não havia chegado a suas mãos.

Eleições

Os venezuelanos elegem, por um período de cinco anos, os 167 legisladores da Assembleia Nacional, controlada pelo socialismo boliviariano iniciado pelo já falecido ex-presidente Hugo Chávez em 1999. No total, 19,5 milhões de venezuelanos estão convocados às urnas.

Com uma revolta popular com a escassez que vai dos alimentos aos remédios, e com uma das piores inflações do mundo, pesquisas apontam que o governo socialista sob comando de Nicolás Maduro pode perder vantagem que conquistou em 1999, no início do primeiro mandato de Chávez.

 



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