Fuga de Pizzolato é destaque na imprensa internacional

 

Politica - 16/11/2013 - 08:01:58

 

Fuga de Pizzolato é destaque na imprensa internacional

 

Da Redação com BBC Brasil

Foto(s): Divulgação / Arquivo

 

Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato

Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato

A BBC Internacional repercutiu em seu site neste sábado a fuga do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, considerado culpado no processo do mensalão. Condenado a 12 anos e sete meses de prisão, ele teria fugido para a Itália há 45 dias. 

Chamando Pizzolato de “banqueiro”, a reportagem destaca que o ex-diretor do BB fugiu para escapar da prisão, decretada na quinta-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federa (STF) e relator do mensalão, Joaquim Barbosa. A BBC também lembra que Pizzolato tem passaporte italiano.

A carta que o ex-diretor do BB divulgou neste sábado, quando a fuga foi anunciada, foi destacada pela reportagem. Nela, Pizzolato afirma que vai pleitear um novo julgamento na Itália.

Leia a íntegra da nota abaixo.

"Minha vida foi moldada pelo princípio da solidariedade que aprendi muito jovem quando convivi com os franciscanos e essa base sólida sempre norteou meus caminhos.
Nos últimos anos minha vida foi devassada e não existe nenhuma contradição em tudo que declarei quer seja em juízo ou nos eventos públicos que estão disponíveis na internet.
Em meados de 2012, exercendo meu livre direito de ir e vir, eu me encontrava no exterior acompanhando parente enfermo quando fui mais uma vez desrespeitado por setores da imprensa.
Após a condenação decidida em agosto retornei ao Brasil para votar nas eleições municipais e tinha a convicção de que no recurso eu teria êxito, pois existe farta documentação a comprovar minha inocência.
Qualquer pessoa que leia os documentos existentes no processo constata o que afirmo.
Mesmo com intensa divulgação pela imprensa alternativa - aqui destaco as diversas edições da revista Retrato do Brasil - e por toda a internet, foi como se não existissem tais documentos, pois ficou evidente que a base de toda a ação penal tem como pilar, ou viga mestra, exatamente o dinheiro da empresa privada Visanet. Fui necessário para que o enredo fizesse sentido. A mentira do "dinheiro público" para condenar. Todos. Réus, partido, ideias, ideologia.
Minha decepção com a conduta agressiva daquele que deveria pugnar pela mais exemplar isenção é hoje motivo de repulsa por todos que passaram a conhecer o impedimento que preconiza a Corte Interamericana de Direitos Humanos ao estabelecer a vedação de que um mesmo juiz atue em todas as fases de um processo, a investigação, a aceitação, e o julgamento, posto a influência negativa que contamina a postura daquele que julgará.
Sem esquecer o legítimo direito moderno de qualquer cidadão em ter garantido o recurso a uma corte diferente, o que me foi inapelavelmente negado.
Até desmembrarem em inquéritos paralelos sigilosos para encobrir documentos, laudos e perícias que comprovam minha inocência, o que impediu minha defesa de atuar na plenitude das garantias constitucionais. E o cúmulo foi utilizarem contra mim um testemunho inidôneo.
Por não vislumbrar a mínima chance de ter julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália.
Agradeço com muita emoção a todos e todas que se empenharam com enorme sentimento de solidariedade cívica na defesa de minha inocência, motivadas em garantir o estado democrático de direito que a mim foi sumariamente negado."

 

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