O depoimento de Elize Matsunaga na Delegacia de Homicídios (DHPP), onde ela confessou a autoria do assassinato do marido, durou cerca 8 horas. Ela convenceu o delegado Jorge Carrasco de que agiu sozinha. Mas o que chamou a atenção do diretor do departamento é que a arma usada no crime foi um presente do executivo da Yoki a ela, um modelo .380.
A arma estava entre as doadas por Eliza à Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, antes de ser presa. De acordo com Jorge Carrasco, Elize depôs com muita naturalidade, chorou às vezes, mas foi convincente. "Não tenho dúvida da autoria e da motivação do crime. Pelo depoimento ela realmente agiu sozinha e nós acreditamos nisso. Porém vamos ouvir as babás", declarou o delegado, que não crê em premeditação para o crime. Nesta quarta-feira à tarde, uma das babás da família desmaiou ao ler a notícia na internet de que Elize confessara o assassinato, contou o advogado da família, Luiz Flávio Borges D'Urso.
A mulher do empresário disse no depoimento que estava discutindo com o marido antes de lhe acertar um tiro na têmpora, por volta das 20h. Além do casal, estava no apartamento a filha deles, que não ouviu o tiro, pois a residência é "enorme", segundo o delegado. Os vizinhos também não escutaram o disparo, pois as janelas possuem sistema antirruído.
Elize, então, teria limpado todo o sangue do apartamento e deixado o corpo do marido em um quarto por cerca de 10 horas, até que ele entrasse em estado de rigidez cadavérica e parasse de sangrar, segundo a polícia. Somente então a mulher, que é técnica em enfermagem e tem conhecimentos de anatomia, teria cortado os membros inferiores e superiores, a cabeça, e na altura da barriga, e colocado os pedaços em malas. Segundo o seu depoimento, ela levou os restos mortais para um sitio de propriedade da família na cidade de Ibiúna, perto de Cotia. De acordo com o advogado D'Urso, a família não visitava o sítio há muitos anos.
Ainda nesta quinta-feira, a polícia realizará nova perícia no apartamento. Não há data para a reconstituição do crime. A DHPP pediu a prisão temporária de Elize por mais 15 dias. Ela foi encaminhada para a cadeia de Itapevi, e será indiciada por homicídio qualificado.