O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou na noite de quarta-feira a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 12,5% ao ano para 12% ao ano. A decisão, sem viés, veio após cinco votos a favor da queda e dois votos pela manutenção da taxa. Era praticamente consenso entre os agentes econômicos que o Copom manteria a Selic.
"Reavaliando o cenário internacional, o Copom considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos", afirmou o Copom em nota distribuída após a reunião.
Nas cinco reuniões que a autoridade monetária já havia feito no ano, o Copom tinha optado por alta nos juros: em janeiro (de 10,75% para 11,25%), em março (para 11,75%), em abril (para 12%), em junho (para 12,25%) e em julho (para 12,5%).
Para o economista-chefe da Raymond James, Mauricio Rosal, a decisão foi "prematura'. "Baseado nas informações públicas que nós temos, caberia ao Banco Central implementar política monetária dentro dos princípios no momento. (A decisão) tem de ser justicada a partir de informações que o mercado talvez não dispõe. Concordo que o cenário internacional piorou e que haverá uma mudança rápida na economia doméstica por conta das incertezas, mas é difícil mensurar o tamanho disso tudo", disse.
José Góes, analista econômica da Wintrade, também se disse surpreendido pelo corte. "A meu ver, o Banco Central foi precipitado. O cenário externo se deteriorou, mas não a ponto de exigir um corte de juro já agora. Acho que a comunicação ficou prejudicada. Na reunião passada se falava em alta do juro ainda, o BC simplesmente reverteu isso. A maioria falava em estabilidade, e mesmo aqueles que apostavam em queda falavam em 0,25 (ponto percentual)".
A Selic entrou no ano de 2010 a 8,75% ao ano, patamar que foi mantido até a reunião de 28 de abril, quando a taxa foi elevada a 9,5% ao ano. Nas duas reuniões que seguiram, a de 9 de junho e a de 21 de julho, houve aumento, de 0,75 ponto percentual e de 0,5 ponto percentual, respectivamente. Nas últimas três reuniões, as de 1º de setembro, a de 20 de outubro e a que fechou o ano de 2010, em 08 de dezembro, a taxa foi mantida em 10,75% ao ano.
Entenda como a Selic funciona O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) é uma taxa que controla, de forma indireta, o valor os juros no País. Geralmente nos lembramos dela quando a economia está aquecida e a inflação ameaça, ou ao contrário, quando a economia mostra sinais de fraqueza e precisa de uma força para avançar.
Isso acontece da seguinte maneira: a Selic determina com qual taxa de juros o governo vai remunerar quem empresta a ele. Se ela está alta, os bancos preferem emprestar dinheiro ao governo. Se ela está baixa, compensa para os bancos emprestar para o mercado em geral, empresas e pessoas físicas.
Assim, em caso de Selic elevada, haverá menos dinheiro na praça para ser emprestado para empresas e pessoas, pois os bancos estão ganhando emprestando para o governo. Logo, pela lei de oferta e procura, o juro sobre o dinheiro que sobra para a população ficará mais alto. Se a Selic está baixa, os emprestadores vão procurar formas mais rentáveis de aplicar seu dinheiro e a quantidade para ser emprestada na praça fica maior, e o juro a ser cobrado, consequentemente, cai.
A Selic, então, fará diferença no juro que pagamos no cheque especial, no crediário, nos cartões de crédito. Essa relação, porém, não é imediata. Se a taxa Selic é aumentada em um dia, os juros do mercado não sobem no outro. Há um tempo necessário para que a mudança faça efeito, normalmente superior a um mês.
Barateando e encarecendo o crédito, a Selic tem o poder de controlar o consumo. Assim, ela é usada como instrumento para controlar a inflação. Quando o consumo está muito alto e há risco da inflação sair da meta estipulada pelo Banco Central, a Selic vai sendo jogada para cima e, desse jeito, freando a economia, o consumo e a alta nos preços.
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