"> Dólar sobe de novo, ouro cai e Ibovespa cai novamente

 

Economia - 30/10/2026 - 17:23:29

 

Dólar sobe de novo, ouro cai e Ibovespa cai novamente

Dólar PTAX fecha em alta de 0,87%, e Ibovespa recua 0,81% na quarta sessão seguida de perdas

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

Operadores acompanham definição da equipe econômica do próximo mandato e declarações sobre gastos públicos; dados de emprego e indicadores dos Estados Unidos também influenciam; ouro e prata recuam com hipótese de liquidações de investidores chineses; Copom se reúne em 4 de novembro.

Operadores acompanham definição da equipe econômica do próximo mandato e declarações sobre gastos públicos; dados de emprego e indicadores dos Estados Unidos também influenciam; ouro e prata recuam com hipótese de liquidações de investidores chineses; Copom se reúne em 4 de novembro.

Fechamento de 30 de outubro

A taxa PTAX do dólar dos Estados Unidos encerrou o pregão de 30 de outubro de 2026 a R$ 5,4206 na compra e R$ 5,4212 na venda, variação de +0,87% em ambos os lados ante o fechamento anterior. O Ibovespa, índice da Bolsa Brasileira B3, fechou aos 168.176,02 pontos, recuo de 0,81% (menos 1.379,21 pontos) ante os 169.555,23 pontos de 29 de outubro. Foi a quarta sessão consecutiva de recuo do índice. O volume financeiro negociado na B3, no painel das 16h23, somou R$ 32.855.448.781, em 5.011.952 negócios.

A alta do dólar ante o real ocorreu mesmo com o índice DXY, que mede a moeda americana contra seis divisas de economias avançadas, em recuo de 0,22%, aos 101,8 pontos no mesmo horário. A divergência indica que a pressão cambial no dia foi específica do risco Brasil, e não um movimento de fortalecimento generalizado da moeda americana.

Fatores que influenciaram o dia

Associações feitas por operadores e veículos de mercado ligaram o movimento do dia a três grupos de fatores. O primeiro foi a ausência de definição sobre a composição da equipe econômica do próximo mandato presidencial, após a reeleição confirmada no domingo, 25 de outubro. O segundo foi a divulgação de declarações do vice-presidente eleito, Guilherme Boulos, afastando ajustes de gastos públicos, o que elevou questionamentos sobre a trajetória fiscal. O terceiro foi o cenário externo: resultados trimestrais de empresas de tecnologia dos Estados Unidos pressionaram as bolsas americanas na sessão anterior, e novos indicadores de atividade daquela economia ficaram no radar dos investidores.

No plano doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que a taxa de desemprego ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026. O dado foi lido em conjunto com sinais de desaceleração da atividade econômica.

Ouro, prata e o episódio envolvendo a China

No mercado internacional de metais preciosos, o ouro à vista encerrou 30 de outubro a US$ 3.897,31 a onça, recuo de 3,07% ante o dia anterior. A prata à vista, que havia tocado o menor nível em 11 meses, a US$ 52,68 a onça no negócio asiático de 27 de outubro, foi negociada entre US$ 49,00 e US$ 50,90 a onça nas referências consultadas para 30 de outubro, com perda diária estimada em 2,4%.

O banco Julius Baer levantou a hipótese de que parte das vendas de ouro e prata teria origem em investidores chineses que precisariam levantar caixa, em resposta a medidas de fiscalização de Pequim sobre capitais mantidos no exterior. Não houve confirmação oficial dessa origem. Em sentido oposto, dados do mercado chinês mostraram aumento da demanda física: o volume do contrato AU99.99 da Bolsa de Ouro de Xangai saltou na semana anterior para o patamar mais alto desde abril, em torno de 430 toneladas, e investidores individuais passaram a comprar o metal após a queda abaixo de US$ 4.000 a onça. O Banco Popular da China estendeu a série de compras de ouro para o 23º mês consecutivo, com adição de 23 toneladas em setembro, a maior compra mensal desde outubro de 2023, levando as reservas declaradas a 2.410 toneladas.

A combinação de dólar mais alto e ouro internacional mais baixo produziu efeito misto no preço do ouro em reais. A cotação do ouro comercial, por grama, fechou 30 de outubro a R$ 679,1881 na compra e R$ 679,2633 na venda, recuo de 2,23% no dia, mesmo com o dólar em alta. A queda do ouro internacional superou o efeito da depreciação cambial.

A semana após a eleição: o choque de 26 de outubro

O marco do mês foi a sessão de segunda-feira, 26 de outubro, primeiro dia útil após a definição da reeleição presidencial no domingo, 25. Naquele dia, a PTAX do dólar saltou 9,19%, de R$ 5,0371 para R$ 5,4998 na compra, a maior variação diária do período analisado. O Ibovespa recuou 13,88%, fechou aos 176.608,23 pontos e acionou o mecanismo de interrupção de negociações (circuit breaker) pela primeira vez desde 2020. O ouro comercial, por grama, subiu 9,61% no mesmo dia, para R$ 710,3849 na compra, movimento explicado quase inteiramente pela alta do dólar, já que o ouro internacional variou apenas +0,39% na sessão.

Nos dias seguintes, houve retraçamento parcial: o dólar recuou 3,01% em 27 de outubro, para R$ 5,3340, e o ouro em reais recuou 1,91%. De 28 a 30 de outubro, porém, o dólar voltou a subir em três sessões seguidas, atingindo R$ 5,4206. No conjunto da semana de 23 a 30 de outubro, o dólar acumulou alta de 7,61%, o ouro em reais alta de 4,80%, e o ouro internacional recuou 2,61%.

Tendências dos últimos 20 dias úteis

No período de 2 de outubro a 30 de outubro de 2026 (20 dias úteis), a PTAX do dólar variou entre mínima de R$ 4,9692 (6 de outubro) e máxima de R$ 5,4998 (26 de outubro). Até 23 de outubro, a taxa permaneceu em faixa estreita entre R$ 4,97 e R$ 5,22, com tendência de estabilidade. A partir de 26 de outubro, o patamar se deslocou para acima de R$ 5,30. A alta acumulada no período foi de 3,78%, sendo que a totalidade do ganho ocorreu na última semana.

O ouro comercial, por grama, variou entre mínima de R$ 648,1086 (23 de outubro) e máxima de R$ 710,3849 (26 de outubro). Até 23 de outubro, o preço em reais apresentou tendência de queda, acompanhando a redução do ouro internacional, que passou de US$ 4.129,39 a onça em 2 de outubro para US$ 4.002,02 em 23 de outubro. O salto de 26 de outubro revertido parcialmente nos dias seguintes deixou o saldo do período em -2,06%.

No plano monetário, a taxa Selic permaneceu em 13,75% ao ano, após cinco cortes consecutivos que somaram 1,25 ponto percentual desde março, o último deles em 16 de setembro. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne em 4 de novembro. Antes da eleição, o mercado precificava dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, levando a taxa a 13,25%. Após 26 de outubro, as apostas na B3 passaram a indicar 66% de chance de manutenção da taxa em 13,75% na próxima reunião. As taxas de juros futuros (DI) voltaram a subir na semana. O IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,58% em setembro.

Resumo do fechamento diário (30/10/2026)

Indicador Fechamento Variação diária
Dólar comercial (compra PTAX) R$ 5,4206 +0,87%
Dólar comercial (venda PTAX) R$ 5,4212 +0,87%
Ibovespa (pontos) 168.176,02 -0,81%

Maiores altas do Ibovespa no dia

Código Nome da empresa Variação diária
FASA3 FASA S.A. +38,10%
MWET4 Wetzel S.A. +33,33%
FASA3F FASA S.A. +27,27%
AZEV3F Azevedo & Travassos S.A. +22,96%
MRSA3BF MRS Logística S.A. +20,64%

Maiores baixas do Ibovespa no dia

Código Nome da empresa Variação diária
PLAS3 Plascar Participações Industriais S.A. -21,28%
MWET4 Wetzel S.A. -20,01%
SEQL3 Sequoia Logística e Transportes S.A. -20,00%
HOOT4F Hotéis Othon S.A. -14,79%
TCSA3F Tecnisa S.A. -13,43%

Registro de dados: a ação MWET4 (Wetzel S.A.) constou simultaneamente no painel de maiores altas e no de maiores baixas da B3 na captura das 16h23, com preços de 24,00 e 24,78, respectivamente, reflexo de oscilação intradiária em papel de baixa liquidez.

Variação diária do dólar comercial (PTAX), últimos 20 dias úteis

Data Compra (R$) Venda (R$) Var. compra (%) Var. venda (%)
02/10/2026 5,2232 5,2238 +0,31 +0,31
05/10/2026 4,9853 4,9859 -4,55 -4,55
06/10/2026 4,9692 4,9698 -0,32 -0,32
07/10/2026 4,9929 4,9935 +0,48 +0,48
08/10/2026 5,0113 5,0119 +0,37 +0,37
09/10/2026 4,9886 4,9892 -0,45 -0,45
13/10/2026 5,0090 5,0096 +0,41 +0,41
14/10/2026 5,0435 5,0441 +0,69 +0,69
15/10/2026 5,0515 5,0521 +0,16 +0,16
16/10/2026 5,0820 5,0826 +0,60 +0,60
19/10/2026 5,0558 5,0564 -0,52 -0,52
20/10/2026 5,0134 5,0140 -0,84 -0,84
21/10/2026 5,0270 5,0277 +0,27 +0,27
22/10/2026 5,0377 5,0383 +0,21 +0,21
23/10/2026 5,0371 5,0377 -0,01 -0,01
26/10/2026 5,4998 5,5007 +9,19 +9,19
27/10/2026 5,3340 5,3346 -3,01 -3,02
28/10/2026 5,3414 5,3420 +0,14 +0,14
29/10/2026 5,3738 5,3744 +0,61 +0,61
30/10/2026 5,4206 5,4212 +0,87 +0,87

Variação diária do ouro comercial (por grama), últimos 20 dias úteis

Data Compra (R$/g) Venda (R$/g) Var. compra (%) Var. venda (%)
02/10/2026 693,4679 693,5475 -0,68 -0,68
05/10/2026 662,6745 662,7542 -4,44 -4,44
06/10/2026 665,0428 665,1231 +0,36 +0,36
07/10/2026 658,9547 659,0339 -0,92 -0,92
08/10/2026 662,0822 662,1614 +0,47 +0,47
09/10/2026 672,2275 672,3083 +1,53 +1,53
13/10/2026 669,6524 669,7326 -0,38 -0,38
14/10/2026 661,6162 661,6949 -1,20 -1,20
15/10/2026 673,8927 673,9728 +1,86 +1,86
16/10/2026 680,9594 681,0398 +1,05 +1,05
19/10/2026 673,1194 673,1993 -1,15 -1,15
20/10/2026 665,7018 665,7814 -1,10 -1,10
21/10/2026 667,7736 667,8666 +0,31 +0,31
22/10/2026 655,9505 656,0286 -1,77 -1,77
23/10/2026 648,1086 648,1858 -1,20 -1,20
26/10/2026 710,3849 710,5012 +9,61 +9,61
27/10/2026 696,7995 696,8779 -1,91 -1,92
28/10/2026 694,0489 694,1268 -0,39 -0,39
29/10/2026 694,6484 694,7260 +0,09 +0,09
30/10/2026 679,1881 679,2633 -2,23 -2,23

(*) Com informações das fontes: Banco Central do Brasil (taxa PTAX e cotação do ouro), B3 (Bolsa Brasileira de Balcão), Refinitiv, e agências de notícias.

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