"> Frango para a Ásia enfrenta custo extra de US$ 300 por contêiner após mudança de rota

 

Economia - 12/03/2026 - 10:36:26

 

Frango para a Ásia enfrenta custo extra de US$ 300 por contêiner após mudança de rota

 

Da Redação .

Foto(s): Arte @HORA

 

Redirecionamento de cargas, uso de hubs como Singapura e Vietnã e suspensão de novas reservas ao Oriente Médio alteram a logística da proteína brasileira e elevam o custo unitário dos embarques.

Redirecionamento de cargas, uso de hubs como Singapura e Vietnã e suspensão de novas reservas ao Oriente Médio alteram a logística da proteína brasileira e elevam o custo unitário dos embarques.

A exportação brasileira de carne de frango para mercados asiáticos entrou em uma fase de reajuste logístico após a interrupção parcial de rotas ligadas ao Oriente Médio e a necessidade de redirecionar cargas para novos pontos de transbordo. A Associação Brasileira de Proteína Animal informou, no início de março, que armadores suspenderam temporariamente novas reservas de contêineres para embarques de frango ao Oriente Médio, embora cargas já reservadas continuem em viagem. Na prática, a restrição afeta uma malha que também serve de conexão para parte dos fluxos destinados à Ásia, o que levou exportadores a reavaliar itinerários, janelas de embarque e pontos de armazenamento.

Nesse rearranjo, Singapura e Vietnã passaram a ser citados pelo setor como alternativas operacionais para redirecionamento e armazenamento. A mudança não representa apenas troca de porto de destino. Ela altera distância contratada, tempo de trânsito, necessidade de transbordo e custo final por unidade embarcada. Em declaração pública, Ricardo Santin, presidente da ABPA, explicou que o efeito econômico surge quando a carga precisa sair do destino originalmente previsto e seguir para outro ponto logístico, o que equivale, em termos contratuais, a ampliar o percurso inicialmente comprado no frete marítimo. Esse redesenho ajuda a explicar a cobrança adicional de cerca de US$ 300 por contêiner mencionada no mercado para a mudança de roteiro, valor que se soma a outras despesas ligadas à espera de navios, permanência em áreas de segurança e consumo adicional de combustível.

O impacto da logística ganha dimensão porque a Ásia ocupa posição central no comércio externo do setor. Levantamento setorial divulgado em 2026 indica que o continente asiático absorve mais de 50% das exportações brasileiras de frango, com participação de mercados como China, Japão, Emirados Árabes Unidos e Filipinas no fluxo de compras. Em 2025, segundo dados citados pela ABPA, o Brasil projetava encerrar o ano com 5,32 milhões de toneladas exportadas, após revisão das estimativas ao longo do período. Já no fechamento de 2025 divulgado em janeiro de 2026, Emirados Árabes Unidos aparecem com 479,9 mil toneladas, Japão com 402,9 mil toneladas, Arábia Saudita com 397,2 mil toneladas, África do Sul com 336 mil toneladas e Filipinas com 264,2 mil toneladas. A distribuição mostra que rotas para Ásia e entorno regional têm peso direto sobre receita, programação industrial e formação de preço de exportação.

No caso da China, o mercado tem influência adicional por absorver itens específicos do mix exportador brasileiro. Em 2025, durante o período de restrição chinesa ao frango brasileiro, a imprensa econômica registrou que a média mensal vendida ao país superava US$ 100 milhões. Em paralelo, agentes do setor relataram perda de valor em produtos como pés de frango quando houve necessidade de redirecionamento para outros mercados. Isso significa que a elevação de custo logístico não atua isoladamente. Ela se combina com risco de renegociação comercial, mudança no destino final da carga e diferença de preço entre mercados compradores.

A estrutura operacional da exportação de frango também ajuda a entender por que uma variação aparentemente limitada por contêiner pode ganhar relevância financeira. Um embarque citado em 2024 para a China continha 27 toneladas de pés de frango em um contêiner. Com essa referência, um adicional de US$ 300 por unidade equivale a aproximadamente US$ 11,11 por tonelada transportada, sem incluir outros custos acessórios. Em cadeias que operam volumes elevados e contratos seriados, esse acréscimo altera margem, composição do preço FOB e decisão sobre redirecionar ou manter mercadoria em trânsito até nova autorização logística ou sanitária.

Além do custo unitário, há o fator tempo. Cotações logísticas disponíveis para rotas marítimas de Santos a Singapura mostram trânsito na faixa de 35 a 36 dias em operações de contêiner, indicando que o uso de hubs alternativos pode exigir reprogramação de entregas e gestão mais rígida da cadeia refrigerada. Para proteína animal congelada, cada etapa adicional de transbordo amplia exigências de coordenação entre exportador, armador, terminal, importador e autoridades sanitárias. O efeito prático é que o custo do frete deixa de ser apenas uma linha financeira e passa a influenciar disponibilidade de contêiner, slot de navio, prazo contratual e previsibilidade de recebimento no destino.

No plano comercial, a reação do setor tem sido preservar contratos e manter embarques já confirmados, enquanto avalia autorização oficial para redirecionamentos. A própria ABPA informou que ativou gabinete de crise e intensificou diálogo com armadores e empresas associadas. O objetivo é evitar ruptura no abastecimento de mercados importadores e reduzir perdas com cargas em água. Para o exportador, a decisão entre absorver o custo adicional, renegociar preço ou buscar novo destino depende do tipo de corte embarcado, do prazo de validade do produto, da cláusula contratual de entrega e da capacidade de o mercado alternativo receber o lote nas condições exigidas.

Do ponto de vista macroeconômico, a mudança de rota em embarques de frango tem alcance além da avicultura. A carne de frango é um dos principais itens da pauta agroexportadora brasileira e responde por uma parcela relevante da geração de receita cambial do setor de proteínas. Quando a logística marítima sofre alteração, o efeito alcança frigoríficos, tradings, portos, operadores de contêiner refrigerado, seguradoras e compradores externos. O aumento de US$ 300 por contêiner, portanto, funciona como indicador de uma pressão logística maior, em um comércio que depende de escala, regularidade de navios e previsibilidade de trânsito para sustentar competitividade em mercados asiáticos.

(*) Com informações das fontes: CNN Brasil; ABPA; Agro Estadão; IstoÉ Dinheiro; Compre Rural; AgroMídia; GTF/O Presente Rural; ACSURS; Agora Freight.

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